αρєиαѕ мαιѕ υмα нιѕтσяια ∂є тєαтяσ

Ela sorria e o olhava, enquanto ele dedilhava naquelas teclas endurecidas de um piano de séculos atrás, a melodia mais doce do mundo, a melodia que a fazia chorar – deveria pelo menos.
Aquele som ecoava pelo salão antigo, onde somente os dois e aquele velho piano se encontravam, e por um pequeno vidro no canto esquerdo apenas um feixe de luz fugia do exterior e incidia em uma, ainda viva, flor sob o piano.
Todavia o rosto do pianista apaixonado se enrijeceu; seus dedos, que antes tocavam, foram usados para derrubar aquela flor. E com um gesto rude e triste abaixou a tampa e retirou-se.
Ela, ainda encostada no piano, deixava cair inúmeras lagrimas que faziam seus olhos, antes cor de mel, avermelharem-se.
Junto com a luz se esvaecendo, as cortinas caiam. Fim do espetáculo.
Será mesmo? Abrindo uma brecha nas cortinas cor de ruby, um homem de terno escuro dirigiu-se a ela – é, era apenas uma solidão ilusória. Ambos estão encostados agora no piano, ela ainda chorando e ele com a mão estendida, e sob a mesma um lenço de renda branco.
E isso, leitor, foi apenas o que eu vi naquele fim de tarde em uma sala de audições esquecida.
Priscila Rodrigues de Oliveira, 10 de abril de 2009

3 lembretes:

Steferson disse...

Acho que o problema todo é o piano. Sabe como é, o pianista tocava para a donzela apaixonada, e, agora, o piano está em alguém para tocar. Incrível como imagino ser difícil para ela sair carregando o piano até achar aquele músico.
Então eles poderiam tocar a canção de ninar dela.

Estúpido cara de terno, faça algo de útil!

ellen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ellen disse...

me lembra um livro
que ja li --'